O fim da DIRF trouxe mesmo simplificação? Na prática, surgem novos desafios

A extinção da DIRF foi apresentada como parte do avanço na modernização das obrigações acessórias no Brasil. A expectativa era clara: menos burocracia, mais integração entre sistemas e processos mais simples para empresas e contribuintes. Porém, no dia a dia, a realidade tem mostrado um caminho bem diferente.

O que se percebe é um aumento da complexidade operacional, maior dependência de controles internos e sistemas bem ajustados e, principalmente, mais risco de falhas na entrega e no cruzamento das informações que impactam diretamente a Declaração de Ajuste Anual (DAA) das pessoas físicas.

Informe de Rendimentos continua obrigatório — só perdeu o “centralizador”

Mesmo com o fim da DIRF, nada mudou quanto à obrigação de entrega do Informe de Rendimentos. As fontes pagadoras continuam responsáveis por fornecer o documento aos beneficiários sempre que houver retenção de IRRF e/ou CSRF, conforme a legislação vigente.

Nos casos de autorretenção, a própria empresa prestadora de serviços também precisa disponibilizar documentação à tomadora. Ou seja, a responsabilidade permanece  e, em alguns pontos, ficou até mais sensível, exigindo organização e controle redobrados.

Sem a DIRF como declaração anual centralizadora, as empresas precisam consolidar informações que agora estão espalhadas em diferentes sistemas e períodos. Isso demanda processos mais estruturados, integração tecnológica e, muitas vezes, apoio especializado.

Integração via eSocial e EFD-Reinf ainda gera incertezas

A Receita Federal informa que os dados antes enviados pela DIRF continuam sendo transmitidos por meio do eSocial e da EFD-Reinf, compondo o chamado “extrator da DIRF”.

Na teoria, isso garantiria continuidade e acesso às informações. Na prática, ainda existem dúvidas importantes. O relatório de rendimentos disponível no Portal e-CAC, que sempre foi uma referência para conferência dos dados declarados, não apresentou de forma clara e tempestiva todas as informações esperadas para o ano-calendário mais recente.

Essa falta de previsibilidade gera insegurança para empresas e contribuintes, especialmente no momento de preencher a DAA, aumentando o risco de inconsistências e questionamentos futuros.

Demonstrativo Consolidado não substitui o Informe de Rendimentos

Outro ponto que costuma gerar confusão é o Demonstrativo Consolidado do Imposto de Renda Retido na Fonte, disponível no portal da Receita Federal. Apesar de ser útil para conferência interna, ele não substitui o Informe de Rendimentos que deve ser entregue ao beneficiário.

Na prática, isso mantém uma duplicidade de trabalho: as informações são enviadas mensalmente ao Fisco e, paralelamente, as empresas precisam gerar relatórios próprios para atender à obrigação legal junto aos colaboradores e prestadores de serviço.

Mais obrigações mensais, mais atenção aos detalhes

Com o novo modelo, os rendimentos passaram a ser informados mensalmente via eSocial e EFD-Reinf. Esse fluxo contínuo aumenta o volume operacional e exige acompanhamento constante.

Qualquer erro, atraso ou inconsistência pode refletir diretamente na declaração do contribuinte, resultando em divergências, pendências ou até retenção em malha fina — muitas vezes por falhas que poderiam ser evitadas com processos mais claros e ferramentas oficiais mais integradas.

Quando a simplificação vira custo adicional

Diante desse cenário, surge uma pergunta inevitável: o sistema realmente ficou mais simples? Embora a tecnologia exista, a complexidade acabou sendo transferida para as empresas, que precisam investir mais em controles internos, sistemas, consultorias e estruturas de compliance.

O que deveria representar ganho de eficiência acaba se tornando mais um custo operacional, especialmente para quem busca manter a conformidade e a segurança jurídica.

Modernizar é necessário. Mas modernizar de verdade significa simplificar processos, aumentar a transparência e reduzir riscos — não apenas mudar o formato da obrigação.

Enquanto houver lacunas na disponibilização das informações, incertezas sobre relatórios oficiais e a necessidade de processos paralelos, o fim da DIRF continuará representando mais desafios do que benefícios para empresas e contribuintes.

O verdadeiro avanço está em criar um ecossistema fiscal em que a tecnologia trabalhe a favor da organização, da clareza e da eficiência — e não como mais uma camada de complexidade.

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